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Nossa casa é o Brasil
O Prêmio Design Museu da Casa Brasileira está de volta. Retornamos atentos às transformações do morar no Brasil: permanências, mudanças e desdobramentos.
Podemos viver em muitos lugares, mas moramos em poucos — apenas naqueles que reconhecemos como nossos. A casa, mais do que abrigo, é uma manifestação social, repleta de significados que se atualizam com o tempo. Morar é verbo que não exige complemento, mas pede contexto: é gesto cotidiano, escolha (quando possível) e também condição imposta, resistência silenciosa, desejo urgente.
Os diferentes jeitos de habitar revelam diferentes formas de viver e de conviver. Os muitos movimentos na paisagem doméstica — apoiar, descansar, organizar, guardar, iluminar, cozinhar, comer, dormir, estar, trabalhar, estudar, limpar — expressam práticas sociais e valores que moldam nossa experiência no mundo. A essa lista, hoje, somam-se novas interações, como conectar, monitorar e automatizar. Elas surgem na forma de objetos e interfaces digitais que refletem a busca por praticidade, conforto e personalização. É em tudo isso que se enraíza o morar brasileiro.
Mas a casa brasileira é uma só? Quantas moradas cabem num mesmo Brasil? Somos um mesmo Brasil? Sala, quarto, banheiro, cozinha, terreiro, quintal, varanda, laje, home theater, jardim, porão, alpendre, escritório, rede, esteira, adega e muito mais. Tudo cabe na casa brasileira. De norte a sul, esses espaços ganham vida quando abrigam o cotidiano da nossa gente. Escolhas e circunstâncias trazem objetos, cores, texturas, sabores, cheiros e emoções que nos ajudam a traçar um modo de vida plural, complexo e em constante mutação.
E se toda essa diversidade revela a riqueza do morar no Brasil, também nos lembra de suas contradições. O Museu da Casa Brasileira vive, hoje, uma nova fase. Desde abril de 2023, estamos em busca de uma nova casa. Essa experiência tem se revelado como uma oportunidade instigante para reafirmar nosso compromisso: salvaguardar a arquitetura, o design e os costumes das casas do povo brasileiro, e sobretudo sua memória. Memória bem representada pelo importante acervo do Museu, cuja salvaguarda está garantida.
A casa brasileira não pode mais ser pensada a partir de um modelo único, elitizado ou importado. Ações como descansar, guardar, apoiar, iluminar — ações conjugadas em diferentes contextos e etapas da vida, abraçadas pela edição deste ano de nosso prêmio — serão apenas o início de uma longa caminhada na busca por outras ações igualmente expressivas que nos ajudarão a compreender melhor o morar.
É nossa responsabilidade, mais do que nunca, buscar representar a diversidade de regiões, classes sociais, crenças, cores, corpos e gêneros que existem no morar de todas as casas. Mas isso só será possível com a força de todas as pessoas que compõem nossa grande família. Com a mobilização de profissionais, estudantes, professores, pesquisadores e entusiastas do design e da arquitetura, vamos construir um museu mais crítico, mais inclusivo, mais próximo da realidade e da sensibilidade do povo brasileiro.
Afinal, objetos são vetores de memória, testemunhos de práticas e modos de vida. Suas formas, materiais e processos de fabricação revelam a organização, o funcionamento e a transformação de uma sociedade. O design e a arquitetura, nesse contexto, tornam-se instrumentos para iluminar essas narrativas. Por isso, esta retomada do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira é também um chamamento à ação: um convite à crítica, à escuta e à experimentação; um impulso à produção de conhecimento que também reconhece a potência dos fazeres tradicionais, das soluções alternativas, dos territórios periféricos, das casas invisibilizadas. O concurso de cartazes da edição 2025 do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira trabalhará essas ações como tema, acolhendo propostas que representem a retomada do prêmio e reflitam sobre a ideia do morar brasileiro hoje.
Nosso prêmio se renova para premiar a ação, para valorizar os pensamentos por trás das peças, para acolher os cartazes, os móveis, os objetos e os equipamentos que expressam, em sua materialidade, o modo como vivemos, resistimos e sonhamos nossas casas.
Design é morada. Arquitetura é afeto. Morar é verbo.
Estamos de volta.
Comitê do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira